Em poucas linhas
- Câncer é o primeiro signo de água da série: frio (o que se mantém unido) e úmido (o que não tem forma própria e é definido pelas circunstâncias).
- O Sol é peregrino em Câncer: não está bem nem mal. Na imagem da aula, é o rei à deriva no reino das águas, dependendo da rainha, que é a Lua.
- A Lua é a memória. Com o Sol subordinado a ela, a pessoa age guiada pelo passado e pelas impressões emocionais, e oscila como as fases da Lua.
- A ação do canceriano é lateral, como o andar do caranguejo: ele não bate de frente, contorna o objetivo em busca de segurança.
- Em qualquer casa, o desafio é não deixar que a memória e as emoções acorrentem a vontade. E lembrar que proteger também não é sufocar.
Assista à aula completa Yuri dos Anjos no YouTube · 23 min · publicada em 28/05/2026
Capítulos da aula (9)
- Sol em Câncer: o que é
- O significado astrológico do Sol
- Câncer: o signo de água (frieza e umidade)
- Cardinal e fleumático: a família como identidade
- O Sol peregrino em Câncer: o rei à deriva no reino das águas
- A Lua governando o Sol: a vontade acorrentada às emoções
- Características reais do canceriano (a esponja emocional)
- Sol em Câncer nas 12 casas astrológicas
- O grande desafio do canceriano (a carapaça do caranguejo)
A aula sobre o Sol em Câncer abre com um retrato, antes de qualquer explicação. O canceriano é muito reativo: depende do que vem de fora e oscila emocionalmente com muita força. Não anda de frente, não bate de frente. E se a namorada faz alguma coisa que a ex dele fazia, a ex que o traiu, ele já começa a desconfiar de traição.
A aula chega a esse retrato pelo céu: primeiro o Sol, depois a água, depois a dona de Câncer, que é a Lua. E resume tudo numa linha, que volta no fim deste texto: ter o Sol em Câncer é ter o rei governando por meio de uma trincheira emocional.
Câncer, o começo do verão
A série começou pelos três signos da primavera: Áries, Touro e Gêmeos. Cada signo simboliza um momento, uma parte de uma estação do ano, e Câncer abre a estação seguinte. É o começo do verão.
A objeção vem logo, e a aula a antecipa: essas estações são as do hemisfério norte. No Brasil, o Sol entra em Câncer em junho, com o inverno. A resposta é que uma coisa está em função da outra, como a cara e a coroa de uma moeda. Se uma pessoa escolhe cara e a outra escolhe coroa, a moeda continua a mesma. A tradição usa as estações do norte porque boa parte dos astrólogos que estudaram e desenvolveram a astrologia estava lá e se baseou nelas, e o simbolismo fica mais fácil de compreender assim do que trocando por outra coisa.
O que o Sol representa no mapa astral
Antes do signo, o planeta. O Sol é o luminar diurno, quente e seco. É o rei, o doador da vida, o representante da vontade, da autoridade e também do propósito.
A aula pede uma lembrança: a de ver o Sol nascer. Está tudo escuro, a pessoa acordou bem cedo e olha para o horizonte. O Sol começa a surgir e, com ele, vem aquela clareza nas coisas: ela passa a enxergar o que antes não estava vendo. Essa é uma das características solares mais marcantes. O Sol traz clareza, dá um propósito claro, esclarece, deixa as coisas visíveis.
O primeiro signo de água: frio e úmido
Câncer é o primeiro signo de água da série, depois do fogo, da terra e do ar. A água é um elemento frio e úmido: essas são as suas duas qualidades elementares.
Quando a astrologia fala de frieza e umidade, ninguém está medindo nada. O exemplo da aula é a água que está sobre a mesa de Yuri dos Anjos enquanto ele fala: não está fria de fato, está morna, e em alguns dias pega sol e fica até quente. Frio e calor, aqui, não são a temperatura do objeto nem uma medição. São uma qualidade.
A frieza é a capacidade de manter-se junto, unido. Um objeto que tem forma e matéria se mantém inteiro e não se divide. O fogo faz o contrário. Ponha fogo num terreno baldio: o rastro vai para um lado, daqui a pouco se alastra para o outro, e vai se dividindo. A água não. Derrame um copo d’água no chão e ela forma uma poça. A poça é o símbolo da frieza: a água sempre se mantém próxima de si mesma, unida, com uma presença firme.
A umidade, como a série já explicou no signo de Gêmeos, é a incapacidade de dar forma ao próprio corpo. O ar e a água são úmidos, mas de jeitos diferentes. O ar não tem forma e, por não ter forma, se divide. A água se mantém unida, e é justamente essa capacidade de manter o corpo unido, unívoco, que a impede de dar forma a ele.
A garrafa deixa o contraste claro. Encha uma garrafa de água até a boca: só há água ali dentro. Comece a beber e a água desce, enquanto o ar entra. Feche, e a garrafa fica com metade de água e metade de ar. A água foi colocada lá dentro e não se separou da fonte: veio inteira pela torneira, pelo filtro. Com o ar foi diferente. Ninguém fez nada para ele entrar; bastou abrir uma brecha, e o ar que entrou se separou do ar que estava fora, no ambiente. E a água, se ninguém mexer, fica ali para sempre, até alguém furar a garrafa ou abri-la e beber o resto.
Traduzida para a pessoa, essa natureza dá duas coisas. A frieza é a capacidade de manter-se unido. A umidade é ser definido pelas circunstâncias, pelo ambiente, pela situação de fora.
Por que Câncer é o signo da família
Câncer é também um signo cardinal. Como no caso de Áries, o signo cardinal quer criar uma identidade, uma imagem: ele está começando algo, e aqui o que começa é o verão. Só que surge um problema. Como começar alguma coisa sem a capacidade de dividir, de romper, que Áries tem?
A resposta de Câncer é criar uma irmandade, um ambiente familiar. É por isso que o signo se associa à família e às pessoas próximas.
O canceriano faz assim: não, esse é dos meus. Eu protejo, eu cuido dele, ele está na minha tribo. Na verdade, não é nem minha tribo, é a minha família.
A aula resume com um personagem e uma palavra: “é o Dominic Toretto, família”, o protagonista de Velozes e Furiosos. Um negócio totalmente canceriano. No signo cardinal de água, a capacidade de criar uma identidade vira isto: proteger os seus.
Juntando as peças, a frieza mantém unido e a umidade faz o signo ser definido pelas circunstâncias. Por isso o canceriano é reativo: olha o que está agindo de fora para saber como se posicionar. A parte cardinal quer criar uma identidade, uma estrutura. Câncer é ainda um signo feminino e noturno, associado ao temperamento fleumático, que é o temperamento da água. A aula faz a ressalva: isso não quer dizer que ter o Sol em Câncer faz o temperamento de alguém ser fleumático, é só uma associação. O signo se liga também à nutrição, à retenção da memória e à oscilação emocional. Como é muito reativo e depende do que vem de fora, oscila emocionalmente com muita força.
O Sol peregrino em Câncer: o rei à deriva no reino das águas
O Sol não tem dignidade em Câncer. O nome dessa condição é peregrinação: o planeta não está ruim nem bom, está normal. A imagem da aula é a de um forasteiro naquele território, alguém que ninguém conhece e de quem ninguém sabe direito quem é.
O rei está à deriva no reino das águas, despido das suas honras formais e dependendo inteiramente da rainha, que é a Lua.
O Sol corresponde à Lua, obedece à Lua. E há um contraste de naturezas: o Sol é quente e seco, o signo é frio e úmido. O resultado é a vitalidade expansiva própria do Sol abafada pela umidade e pela frieza de Câncer.
Ficha técnica de Câncer signo de água, cardinal e feminino
- Domicílio (senhor do signo)
- Lua
- Exaltação
- Júpiter, com o ápice a 15°
- Exílio
- Saturno
- Queda
- Marte
- Triplicidade (água)
- Marte de dia, Marte de noite
- Termos
- Marte 0° a 6° · Júpiter 6° a 13° · Mercúrio 13° a 20° · Vênus 20° a 27° · Saturno 27° a 30°
- Faces
- Vênus 0° a 10° · Mercúrio 10° a 20° · Lua 20° a 30°
Nenhuma dignidade essencial: o Sol é peregrino em todo o signo.
Calculado com as tabelas do Placidus: triplicidade de Ptolomeu, termos ptolomaicos, faces na ordem caldaica e a pontuação de William Lilly (domicílio +5, exaltação +4, triplicidade +3, termo +2, face +1, exílio −5, queda −4). O Sol não rege termos.
Os números do motor confirmam a palavra. Em Câncer o Sol não tem nenhuma dignidade essencial: o signo não é o seu domicílio nem a sua exaltação, e ele não rege ali triplicidade, termo nem face. Também não tem debilidade, porque o exílio de Câncer é de Saturno e a queda é de Marte. A soma fica em zero, que é o que a palavra peregrino descreve: nem bom, nem ruim. O dono do território é a Lua.
A Lua no comando: a vontade presa às fases e à memória
Com a vitalidade abafada, a ação do Sol deixa de ser direta. Passa a ser defensiva e quase sempre lateral, como o andar do caranguejo: ele não anda de frente nem bate de frente, vai de lado, circundando o objetivo. E o que o move, quase sempre, é a busca de segurança.
Na linguagem técnica, a Lua é o dispositor do Sol em Câncer, isto é, quem governa o signo onde o Sol está e a quem ele responde e obedece.
A vontade, que é o Sol, está acorrentada aos ciclos, aos humores, às flutuações lunares.
O Sol quer constância. A Lua responde: você vai ser constante, mas a fase agora é esta. Pode ser fase de retraimento, de expansão, de socialização ou de contenção, conforme a fase em que a Lua estiver.
Há uma segunda camada, a das faculdades da alma. Nelas, o Sol é a vontade e a Lua é o sentido comum, que a aula define como a base de dados da memória. A pessoa vive e vai adquirindo experiências pessoais: isto lembra aquilo, aquilo lembra outra coisa. Essas experiências se armazenam, e o lugar onde se armazenam é a Lua.
O efeito no Sol em Câncer é que a pessoa não age por uma abstração teórica. Age sempre guiada pelas memórias, pela lembrança, e por isso de forma muito conservadora: baseia-se no passado, no que deu certo antes, no que deu errado, no que deu mais ou menos e, principalmente, nas impressões emocionais. É daqui que vem o exemplo do começo. Você namora um canceriano, ele vê em você alguma coisa que a ex dele fazia, a ex que o traiu, e já começa a associar que talvez você o esteja traindo. Para ele, é fácil fazer essa conexão de eventos. Com uma mulher canceriana acontece o mesmo.
A postura de Câncer é quase sempre receptiva, mas cardinal. Ele se defende e busca nutrir e proteger os seus: a família, os íntimos, as pessoas próximas com quem tem afinidade emocional. O comportamento tende a ser instável e sujeito a oscilações, porque o Sol responde à Lua, e não há no céu nada mais oscilante e instável do que a Lua.
A esponja e a casca grossa
O Sol em Câncer responde muito facilmente ao meio. A pessoa é uma esponja do ambiente, e a aula ajusta a imagem: é a esponja que absorve o que o meio faz e joga para fora, como se ela mesma se apertasse. Ponha uma esponja num balde de água e ela suga a água toda; aperte, e ela devolve tudo.
Junto com isso, o canceriano passa sempre uma imagem de proteção.
O canceriano é muito facilmente uma pessoa que tenta mostrar uma casca grossa por fora, mas por dentro ele é mole. Por dentro ele é frágil, sensível.
Sol em Câncer nas 12 casas
A aula percorre as doze casas, e algumas vêm marcadas pelo tipo. A 3 é cadente. A 4 e a 7 são angulares, fortes. A 11 é sucedente e benéfica, e a 12, cadente e maléfica. A lógica das casas angulares, sucedentes e cadentes está explicada no artigo do Sol em Áries.
Casa 1
A casa 1 é o corpo e o eu. Com o Sol em Câncer aqui, a vitalidade fica atrelada ao estado emocional: a pessoa que está mal das emoções adoece; quando está bem, faz mil coisas, tem força, tem vontade. Na tradição, Câncer rege o peito, os seios no mapa feminino, as costelas e o estômago. A personalidade tende a ser empática, mas defensiva. O rosto e o corpo tendem a refletir a umidade do signo: retenção de líquidos, formas mais arredondadas, um rosto mais redondo.
Casa 2
A casa 2 é a dos recursos e do dinheiro. Aqui o dinheiro vem da intuição e da capacidade de cuidar dos outros: alimentação, imóveis, terapias, negócios de família. É a pessoa que toca o negócio do pai, da mãe, do tio ou do avô e se dá muito bem. Os ganhos são flutuantes, porque estão subordinados à Lua, que é instável; quem tem o Sol em Câncer na 2 e quer estabilidade financeira vai ter dificuldade para conseguir. A pessoa poupa movida por um medo visceral da escassez, principalmente quando a família está envolvida. O pai de família com esse Sol na casa 2 é um leão para defender os bens e os ganhos.
Casa 3
A casa 3 é a da comunicação e dos irmãos, e é cadente. Câncer é um signo mudo, como todos os signos de água, e a aula observa que pessoas com a cúspide da casa 3 num signo mudo muitas vezes tiveram dificuldade para falar cedo, ou ainda têm alguma dificuldade de expressão. A pessoa fala e sente que não é ouvida, que o que ela comunica não é entendido. A comunicação não passa por uma eloquência lógica, por um discurso racional e encadeado, mas pela transferência de emoção: ela comunica melhor pelos sentimentos do que pela razão. Em situações constrangedoras, o silêncio costuma ser a melhor arma.
Você tem o Sol na três e alguém te faz passar vergonha: não responda nada. Faça silêncio, é melhor. Não porque falar vai ser ruim, mas porque o silêncio vai soar como um impacto para a pessoa.
Com irmãos, vizinhos e pessoas próximas, a relação costuma ser de profunda lealdade, baseada em memórias de infância. Depende, claro, de as memórias serem boas. Não adianta um irmão tratar mal o outro e contar com o “ele tem Sol em Câncer, nunca vai me abandonar”: ele vai se ressentir e virar vingativo.
Casa 4
A casa 4 é a da família, das raízes e do pai, e é de novo uma casa angular, forte. Geralmente a pessoa herda muitas questões da família de origem: de vida, de saúde, facilidades, habilidades, dificuldades e também vícios. Se há familiares muito presentes com vícios, como drogas ou prostituição, ela sente uma tentação muito grande de seguir aquele caminho. É uma esponja do ambiente familiar em que vive, e muitas vezes é difícil se desvencilhar dessas coisas. Na figura do pai, pode haver uma fusão de papéis entre o pai e a mãe.
Casa 5
A casa 5 é a dos filhos. Câncer é o signo da fecundidade máxima: além de ser um signo de água, fecundo, tem a Lua como regente. O Sol aqui ilumina um instinto maternal e paternal gigantesco, e a pessoa tende a ser um paizão, uma mãezona. O detalhe está no excesso: ela pode ser protetora demais, pegajosa, e ter dificuldade de deixar os filhos crescerem e viverem as experiências normais da vida deles. Os amores são românticos e protetores, mas com um grau grande de ciúme e de possessividade emocional. Os prazeres estão ligados a ficar em casa e às memórias afetivas. Para quem namora ou é casado com alguém que tem o Sol em Câncer na 5, a dica da aula é criar memórias afetivas com essa pessoa: ela vai te amar como nunca.
Casa 6
A casa 6 é a das doenças e da rotina. A rotina de trabalho precisa ser familiar, próxima, de preferência dentro de casa. A pessoa sofre muito em ambientes corporativos e frios, que são o oposto de Câncer: Capricórnio. Na saúde, a tendência é somatizar, e a casa 6 também se liga às questões do estômago e das entranhas: pode haver úlceras, gastrite, problemas digestivos, porque a pessoa “engoliu o sapo” ou porque o ambiente familiar é instável. Para ter uma boa saúde, ela precisa de estabilidade doméstica.
Casa 7
A casa 7, angular, é a do casamento, das sociedades e também dos inimigos. O Sol em Câncer aqui busca no casamento um refúgio: um cuidador, alguém para maternar. O casamento vira um porto seguro. Os inimigos são emocionais e guardam rancores antigos, como a memória do caranguejo, e o confronto nunca é direto: é sempre passivo-agressivo. Quem tem o Sol em Câncer na 7 tende a atrair com muita facilidade pessoas passivo-agressivas.
Casa 8
A casa 8 é a da morte, das heranças e das crises. Aqui o medo da morte e das crises está ligado à possibilidade de deixar a família desamparada. A pessoa pensa “não posso morrer, meus filhos precisam de mim, minha esposa, meu marido, meus pais precisam de mim”, e o pensamento a assombra demais. O dinheiro do parceiro flutua: numa sinastria, quem se casa com alguém que tem o Sol em Câncer na 8 tende a ver a própria vida financeira ficar instável. Há possibilidade de heranças ligadas à mãe ou à linhagem feminina, e de imóveis de família que geram disputas emocionais, discussões e rixas.
Casa 9
A casa 9 é a da religião, da fé e das viagens. A devoção costuma se ligar à tradição dos antepassados: a pessoa herda a religião dos mais tradicionais da família, a avó acredita, o avô acredita. Tem muita facilidade para receber essa transmissão religiosa, desde que veja autenticidade nela. A fé vira uma espécie de conforto. Teses teológicas, doutrinais, ritualísticas e litúrgicas atraem pouco; ela quer um ambiente em que se sinta segura e tranquila, quer encontrar repouso. Pode ter dificuldade de confiar na providência divina, de aceitar que situações difíceis acontecem e que Deus deixou que acontecessem porque tem um plano maior, que nós não sabemos. Nas viagens longas, tende a revisitar raízes genealógicas ou a fazer estudo historiográfico, e pode se interessar muito por história e tradição: estudar, se aprofundar, visitar lugares assim.
Casa 10
A casa 10 é a da carreira e da glória. O Sol brilha no topo, mas de forma popular: lida com o público, as massas, a alimentação, a habitação, o patriotismo. Pode ter vocação para a política, como o político mais populista, que fica junto das massas e fala o que elas querem ouvir; a honestidade vai depender do caráter dele. Pode ser alguém que rege massas, que faz as pessoas irem atrás. Pode ser também historiador, ou trabalhar com tradição, arqueologia, antepassados. Na medicina, a obstetrícia: cuidar de gestantes, de recém-nascidos, de partos, como doula ou enfermeira obstétrica. Tudo o que envolve cuidar e proteger as pessoas, inclusive o ambiente hospitalar, faz sentido para Câncer no geral, assim como o mobiliário, as casas, as reformas e a decoração.
A aula avisa que a lista é uma citação genérica, com mais de dez opções. Para saber para qual delas, ou para quais duas, a pessoa se inclina, é preciso olhar o mapa como um todo e os outros planetas; a lista serve para entender o simbolismo. E há o jeito de mandar.
A autoridade aqui não vai ser exercida como a de um general que manda, mas como a de uma matriarca que cuida e exige obediência por afeto.
O canceriano com o Sol na 10 pode puxar esse argumento: você me obedece porque eu estou cuidando de você, estou te protegendo, e sem mim você não é nada.
Casa 11
A casa 11, sucedente e benéfica, é a dos amigos e das esperanças. O grupo de amigos vira um verdadeiro clã, e a pessoa vira o Dominic Toretto: aqui é a nossa família, os nossos amigos, o nosso bando. Há uma seletividade extrema para deixar alguém entrar no círculo íntimo. O animal que descreve essa posição, na aula, é o lobo. O lobo tem um clã, uma matilha, um líder; todos são leais uns aos outros, se protegem, caçam e dividem a caça. A pessoa trata as amizades como uma matilha e quer ver nelas fidelidade e empatia emocional. As esperanças da vida se enraízam na construção de um legado familiar e emocional sólido: o sonho é uma família viva, emocionalmente sólida, em que as pessoas se respeitem, se aproximem e gostem umas das outras.
Casa 12
A casa 12, cadente e maléfica, é a do isolamento e dos inimigos ocultos. Aqui o Sol fica aprisionado nas águas. Há uma grande tendência à melancolia, a um saudosismo doentio, ao apego ao passado: antigamente era melhor, as coisas eram mais sadias, na minha infância tudo era melhor. A pessoa com o Sol em Câncer na 12 é um ímã para a chantagem emocional de pessoas próximas. Começa a namorar e o namorado passa a fazer chantagem: se você não fizer isso, eu vou ficar assim. E pode acontecer o contrário, a própria pessoa ser a autora da chantagem. Os cuidados são com o vitimismo exagerado e com a carência emocional.
O desafio do Sol em Câncer: sair da carapaça
A aula fecha com o que vale para esse Sol em qualquer casa.
Sol em Câncer é você ter o rei governando por meio de uma trincheira emocional.
O grande desafio dessa posição é não deixar que a memória, o sentido comum, os sentimentos e as emoções acorrentem a vontade. A imagem que a aula usa para o risco é a do urso-pardo. Quem topa com um urso-pardo é caçado até o fim, de forma violenta: as mortes por urso rasgam a pessoa de cima a baixo, e muitos ursos nem comem a vítima. Atacam só porque viram ali uma ameaça. Estão protegendo, e é com isso que a aula pede muito cuidado.
A saída proposta é se permitir experimentar coisas diferentes, novas, com algum controle: nada que fuja totalmente da própria natureza, dos valores e das crenças. Coisas básicas e simples bastam. Uma comida que nunca provou, um brinquedo de parque de diversões em que nunca foi, uma viagem feita de outro jeito, uma hospedagem num lugar diferente. O motivo é que o Sol em Câncer, principalmente na pessoa mais madura e mais velha, mas também em quem tem vinte e poucos anos, tende com facilidade a se apegar ao que já abraçou. E esquece que aquilo não esteve sempre na vida dela. Em algum momento, o que hoje é memória e passado foi novidade, e só depois se cristalizou. Não dá para erguer uma barreira, uma fortaleza em cima disso, e se deixar levar só por essas experiências.
A outra lição é que proteger também não é sufocar. Pais e mães com o Sol em Câncer podem ser protetores demais e sufocar o filho, o que pode gerar ressentimento, amargura e raiva da parte dele. A orientação da aula é impor os limites e os valores, criar o seu território dentro de casa, porque você é o pai, você é a mãe, mas sem sufocar: ter critério para discernir o que pode ou não fazer, quando, em que situações e circunstâncias.
A verdadeira segurança nasce da firmeza interior, e não de se esconder por meio da carapaça do caranguejo.
O próximo signo da série é o Sol em Leão, anunciado no fim da aula. O anterior é o Sol em Gêmeos, o signo de ar em que a série tratou da umidade, e o oposto de Câncer é o Sol em Capricórnio, o signo do ambiente corporativo e frio que a casa 6 estranha. A série inteira está em Sol nos signos.
Datas do Sol em Câncer
Entre 1930 e 2035, o Sol entrou em Câncer sempre entre 20 e 22 de junho e saiu entre 22 e 23 de julho, no horário de Brasília. O dia muda de um ano para outro porque o ano do calendário não tem a mesma duração do caminho do Sol, e o calendário compensa a diferença com os anos bissextos.
Quem nasceu num dia de troca de signo precisa da hora: no mesmo dia, uma criança pode nascer com o Sol no fim do signo anterior e outra, poucas horas depois, com o Sol em Câncer. A tabela abaixo dá o minuto da entrada em cada ano. Para saber o grau exato do seu Sol, com o fuso e o horário de verão da cidade onde você nasceu, o Placidus calcula o mapa inteiro.
Ver a entrada e a saída do Sol em Câncer ano a ano (1930–2035)
| Ano | Entrada | Saída |
|---|---|---|
| 1930 | 22/06/1930, 00h53 | 23/07/1930, 11h42 |
| 1931 | 22/06/1931, 06h28 | 23/07/1931, 17h21 |
| 1932 | 21/06/1932, 12h23 | 22/07/1932, 23h18 |
| 1933 | 21/06/1933, 18h12 | 23/07/1933, 05h05 |
| 1934 | 21/06/1934, 23h48 | 23/07/1934, 10h42 |
| 1935 | 22/06/1935, 05h38 | 23/07/1935, 16h33 |
| 1936 | 21/06/1936, 11h22 | 22/07/1936, 22h18 |
| 1937 | 21/06/1937, 17h12 | 23/07/1937, 04h07 |
| 1938 | 21/06/1938, 23h04 | 23/07/1938, 09h57 |
| 1939 | 22/06/1939, 04h39 | 23/07/1939, 15h37 |
| 1940 | 21/06/1940, 10h36 | 22/07/1940, 21h34 |
| 1941 | 21/06/1941, 16h33 | 23/07/1941, 03h26 |
| 1942 | 21/06/1942, 22h16 | 23/07/1942, 09h07 |
| 1943 | 22/06/1943, 04h12 | 23/07/1943, 15h04 |
| 1944 | 21/06/1944, 10h02 | 22/07/1944, 20h56 |
| 1945 | 21/06/1945, 15h52 | 23/07/1945, 02h45 |
| 1946 | 21/06/1946, 21h44 | 23/07/1946, 08h37 |
| 1947 | 22/06/1947, 03h19 | 23/07/1947, 14h14 |
| 1948 | 21/06/1948, 09h11 | 22/07/1948, 20h07 |
| 1949 | 21/06/1949, 15h03 | 23/07/1949, 01h57 |
| 1950 | 21/06/1950, 20h36 | 23/07/1950, 07h30 |
| 1951 | 22/06/1951, 02h25 | 23/07/1951, 13h21 |
| 1952 | 21/06/1952, 08h13 | 22/07/1952, 19h07 |
| 1953 | 21/06/1953, 14h00 | 23/07/1953, 00h52 |
| 1954 | 21/06/1954, 19h54 | 23/07/1954, 06h45 |
| 1955 | 22/06/1955, 01h31 | 23/07/1955, 12h25 |
| 1956 | 21/06/1956, 07h24 | 22/07/1956, 18h20 |
| 1957 | 21/06/1957, 13h20 | 23/07/1957, 00h15 |
| 1958 | 21/06/1958, 18h57 | 23/07/1958, 05h50 |
| 1959 | 22/06/1959, 00h50 | 23/07/1959, 11h45 |
| 1960 | 21/06/1960, 06h42 | 22/07/1960, 17h37 |
| 1961 | 21/06/1961, 12h30 | 22/07/1961, 23h24 |
| 1962 | 21/06/1962, 18h24 | 23/07/1962, 05h18 |
| 1963 | 22/06/1963, 00h04 | 23/07/1963, 10h59 |
| 1964 | 21/06/1964, 05h57 | 22/07/1964, 16h53 |
| 1965 | 21/06/1965, 11h56 | 22/07/1965, 22h48 |
| 1966 | 21/06/1966, 17h33 | 23/07/1966, 04h23 |
| 1967 | 21/06/1967, 23h23 | 23/07/1967, 10h16 |
| 1968 | 21/06/1968, 05h13 | 22/07/1968, 16h07 |
| 1969 | 21/06/1969, 10h55 | 22/07/1969, 21h48 |
| 1970 | 21/06/1970, 16h43 | 23/07/1970, 03h37 |
| 1971 | 21/06/1971, 22h20 | 23/07/1971, 09h15 |
| 1972 | 21/06/1972, 04h06 | 22/07/1972, 15h03 |
| 1973 | 21/06/1973, 10h01 | 22/07/1973, 20h56 |
| 1974 | 21/06/1974, 15h38 | 23/07/1974, 02h30 |
| 1975 | 21/06/1975, 21h26 | 23/07/1975, 08h22 |
| 1976 | 21/06/1976, 03h24 | 22/07/1976, 14h18 |
| 1977 | 21/06/1977, 09h14 | 22/07/1977, 20h04 |
| 1978 | 21/06/1978, 15h10 | 23/07/1978, 02h00 |
| 1979 | 21/06/1979, 20h56 | 23/07/1979, 07h49 |
| 1980 | 21/06/1980, 02h47 | 22/07/1980, 13h42 |
| 1981 | 21/06/1981, 08h45 | 22/07/1981, 19h40 |
| 1982 | 21/06/1982, 14h23 | 23/07/1982, 01h15 |
| 1983 | 21/06/1983, 20h09 | 23/07/1983, 07h04 |
| 1984 | 21/06/1984, 02h02 | 22/07/1984, 12h58 |
| 1985 | 21/06/1985, 07h44 | 22/07/1985, 18h36 |
| 1986 | 21/06/1986, 13h30 | 23/07/1986, 00h24 |
| 1987 | 21/06/1987, 19h11 | 23/07/1987, 06h06 |
| 1988 | 21/06/1988, 00h57 | 22/07/1988, 11h51 |
| 1989 | 21/06/1989, 06h53 | 22/07/1989, 17h45 |
| 1990 | 21/06/1990, 12h33 | 22/07/1990, 23h22 |
| 1991 | 21/06/1991, 18h19 | 23/07/1991, 05h11 |
| 1992 | 21/06/1992, 00h14 | 22/07/1992, 11h09 |
| 1993 | 21/06/1993, 06h00 | 22/07/1993, 16h51 |
| 1994 | 21/06/1994, 11h48 | 22/07/1994, 22h41 |
| 1995 | 21/06/1995, 17h34 | 23/07/1995, 04h30 |
| 1996 | 20/06/1996, 23h24 | 22/07/1996, 10h19 |
| 1997 | 21/06/1997, 05h20 | 22/07/1997, 16h15 |
| 1998 | 21/06/1998, 11h03 | 22/07/1998, 21h55 |
| 1999 | 21/06/1999, 16h49 | 23/07/1999, 03h44 |
| 2000 | 20/06/2000, 22h48 | 22/07/2000, 09h43 |
| 2001 | 21/06/2001, 04h38 | 22/07/2001, 15h26 |
| 2002 | 21/06/2002, 10h24 | 22/07/2002, 21h15 |
| 2003 | 21/06/2003, 16h10 | 23/07/2003, 03h04 |
| 2004 | 20/06/2004, 21h57 | 22/07/2004, 08h50 |
| 2005 | 21/06/2005, 03h46 | 22/07/2005, 14h41 |
| 2006 | 21/06/2006, 09h26 | 22/07/2006, 20h18 |
| 2007 | 21/06/2007, 15h06 | 23/07/2007, 02h00 |
| 2008 | 20/06/2008, 20h59 | 22/07/2008, 07h55 |
| 2009 | 21/06/2009, 02h46 | 22/07/2009, 13h36 |
| 2010 | 21/06/2010, 08h28 | 22/07/2010, 19h21 |
| 2011 | 21/06/2011, 14h16 | 23/07/2011, 01h12 |
| 2012 | 20/06/2012, 20h09 | 22/07/2012, 07h01 |
| 2013 | 21/06/2013, 02h04 | 22/07/2013, 12h56 |
| 2014 | 21/06/2014, 07h51 | 22/07/2014, 18h41 |
| 2015 | 21/06/2015, 13h38 | 23/07/2015, 00h30 |
| 2016 | 20/06/2016, 19h34 | 22/07/2016, 06h30 |
| 2017 | 21/06/2017, 01h24 | 22/07/2017, 12h15 |
| 2018 | 21/06/2018, 07h07 | 22/07/2018, 18h00 |
| 2019 | 21/06/2019, 12h54 | 22/07/2019, 23h50 |
| 2020 | 20/06/2020, 18h44 | 22/07/2020, 05h37 |
| 2021 | 21/06/2021, 00h32 | 22/07/2021, 11h26 |
| 2022 | 21/06/2022, 06h14 | 22/07/2022, 17h07 |
| 2023 | 21/06/2023, 11h58 | 22/07/2023, 22h50 |
| 2024 | 20/06/2024, 17h51 | 22/07/2024, 04h44 |
| 2025 | 20/06/2025, 23h42 | 22/07/2025, 10h29 |
| 2026 | 21/06/2026, 05h25 | 22/07/2026, 16h13 |
| 2027 | 21/06/2027, 11h11 | 22/07/2027, 22h05 |
| 2028 | 20/06/2028, 17h02 | 22/07/2028, 03h54 |
| 2029 | 20/06/2029, 22h48 | 22/07/2029, 09h42 |
| 2030 | 21/06/2030, 04h31 | 22/07/2030, 15h25 |
| 2031 | 21/06/2031, 10h17 | 22/07/2031, 21h10 |
| 2032 | 20/06/2032, 16h09 | 22/07/2032, 03h05 |
| 2033 | 20/06/2033, 22h01 | 22/07/2033, 08h53 |
| 2034 | 21/06/2034, 03h44 | 22/07/2034, 14h36 |
| 2035 | 21/06/2035, 09h33 | 22/07/2035, 20h29 |
Cálculo do motor do Placidus (efeméride DE440 da NASA, zodíaco tropical), no horário civil de Brasília de cada época, com o horário de verão quando havia.
Perguntas frequentes
O Sol é peregrino em Câncer?
Sim. Em Câncer o Sol não tem nenhuma dignidade essencial: o signo não é domicílio nem exaltação dele, e ele não rege ali triplicidade, termo ou face. Também não está em exílio nem em queda. Peregrino quer dizer isso: o planeta não está bem nem mal, é um forasteiro no território. Quem manda em Câncer é a Lua, e o Sol obedece a ela.
Quem rege o Sol em Câncer?
A Lua, senhora de Câncer, é a dispositora do Sol nesse signo: o Sol responde a ela e obedece a ela. Na prática, a vontade fica acorrentada aos ciclos e às fases da Lua (retraimento, expansão, socialização, contenção), e a pessoa age guiada pela memória, que nas faculdades da alma é o sentido comum, a parte que cabe à Lua.
Por que quem tem Sol em Câncer não bate de frente?
Porque o Sol, quente e seco, está num signo frio e úmido que pertence à Lua. A vitalidade expansiva do Sol fica abafada, e a ação deixa de ser direta para ser defensiva e lateral, como o andar do caranguejo: em vez de enfrentar, a pessoa contorna o objetivo, quase sempre em busca de segurança.
Quem tem Sol em Câncer tem temperamento fleumático?
Não necessariamente. Câncer é um signo de água, feminino e noturno, e se associa ao temperamento fleumático, que é o temperamento da água. Mas é só uma associação: ter o Sol em Câncer não faz, por si, o temperamento de alguém ser fleumático. O signo também se liga à nutrição, à retenção da memória e à oscilação emocional.
Como é o Sol em Câncer na casa 10?
O Sol brilha no topo, mas de forma popular: lida com o público e as massas, com alimentação, habitação e patriotismo, e pode ter vocação para a política. A autoridade aparece como a de uma matriarca que cuida e exige obediência por afeto, não como a de um general que manda. História, arqueologia, obstetrícia e decoração de casas também entram, e o resto do mapa decide entre as opções.
Qual o maior desafio de quem tem Sol em Câncer?
Não deixar que a memória, os sentimentos e as emoções acorrentem a vontade. Vale experimentar coisas novas e simples, como uma comida nunca provada ou uma viagem feita de outro jeito, porque o que hoje é memória um dia foi novidade. E proteger também não é sufocar: a verdadeira segurança nasce da firmeza interior, não da carapaça do caranguejo.
Quando o Sol está em Câncer?
Pelo cálculo do Placidus, entre 1930 e 2035 o Sol entrou em Câncer sempre entre 20 e 22 de junho e saiu entre 22 e 23 de julho, no horário de São Paulo. Em 2026, a entrada foi em 21 de junho, às 5h25. Na tradição, que segue as estações do hemisfério norte, é o começo do verão; no Brasil, a mesma data abre o inverno.
Este texto é a versão escrita da aula “SOL EM CÂNCER: o guia COMPLETO sobre o canceriano de verdade”, de Yuri dos Anjos, publicada no YouTube. A equipe do Placidus organizou o conteúdo da aula em artigo. As datas e as tabelas de dignidade são calculadas pelo motor do Placidus.
Astrólogo
Astrólogo dedicado à astrologia tradicional. As regras de cálculo do Placidus seguem o método dele.